22.7.12

Um dia normal ou a vez que um rato me destruiu


O subúrbio dos outros é amedrontador. Meu subúrbio, minha periferia, meu bairro afastado do centro, é muito mais comum a mim e aos meus vizinhos, que já estão acostumados comigo, e eu com eles.

Claro que deixar um lugar onde você sempre esteve desde sempre é algo complexo e doído, mas tudo me parecia suportável até que cai do salto, derrubada por um rato.

Meu pulo estava alto, um salto perfeito, mas o roedor já mencionado acentuou o significado da palavra solidão me puxando para o fundo do poço.

Tem gente que acha que já sentiu de tudo, mas até os medos tem sabor diferente conforme a situação. O impacto da queda gerou dores nas veias dos olhos e em certos pontos da coluna e do quadril.

A guerreira que vai às ruas gritar ou criar foi derrotada por um bicho pequeno em poucos segundos e arrasada me recordei agora de uma canção da Rita Lee, em que malucos afundam fragatas, mas tem medo de baratas e isso para mim deveria ser normal.

Acho normal sentir esse pavor e não querer ficar nesse lugar nunca mais. Normal ligar para pedir socorro, por não conseguir me mexer de tanto medo. Normal chorar como se tivessem arrancado um pedaço de mim a partir do momento que o vi fugindo para a cozinha. Normal sim, como uma touca com aba ou um tipo de rock sem guitarra, baixo ou bateria.

Aline F.
17/07/2012

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