Hoje
na aula de expressão corporal
cheguei
e tudo já estava acontecendo
deitei, fechei os olhos, relaxei
testar a voz e o corpo
uma espécie de teste avançado
não tinha muita paciência nem vontade pra pensar em sílabas
mas ouvi muitos "cri-cris, bip-bip, tec-tec..."
fiz alguns ruídos, os quais jamais faria em sã consciência rs
digo isso pois o teatro em minha vida é minha vida insana
minha vida solta
desprendida
um exercíciozinho me liberta por momentos, algo que numa semana inteira eu não passo
e não é minha terapia não, é meu prazer
meu maior tesão
alguns sons começaram a sair sem que eu planejasse
passei por intervenções de corpos e objetos
e curiosamente hoje, fui muito puxada
me arrancavam do chão
parecia que tinha sido combinado... mas não foi.
de repente a voz de comando me levou para um canto da sala
e cercada por um simples "L" do canto da sala
estava sózinha, sem ninguém e não podia sair dali
"Como é se sentir assim?"
a frase se encarregou de preparar a mente que soltou o choro mais incrível
era eu um fantasma, um monstro, meu próprio monstro que odeia ficar só
gritei, rosnei, chorei com minha voz... era esta a proposta
cumpri
com exito, penso eu.
corpos se aproximam, parecem me consolar, me confortar, me assustar, me repelir, me puxar, me arrancar
a voz agiu,
como alguém que foi retirado do seu canto, do ultero de sua mãe, de um lugar único, mas seu, a única coisa que ainda tinha.
depois, me acostumei e todos já estavam bem e felizes, a voz de comando propôs uma festa, alegrias...
meus sons foram hiláriamente divertidos, mas meu corpo, que está sempre muito cansado não estava tão feliz assim
finalmente a voz diz para deitarmos no chão e então abrir os olhos.
que vontade de sorrir.
Meu Deus que sensação maravilhosa.
terapia nada, paixão... inexplicável paixão.